Desde as primeiras luzes da manhã desta sexta-feira (2), a Casa de Iemanjá, localizada no pitoresco bairro de Rio Vermelho, em Salvador (BA), abre suas portas para receber uma profusão de oferendas destinadas à Rainha dos Mares. Os pescadores locais erguem-se cedo para preparar os barcos que levarão essas ofertas até o místico "Buraco de Iaiá", um local em formato de concha situado a 3 milhas náuticas da costa, onde as homenagens serão entregues.
Neste ritual secular, apenas flores de todas as cores são permitidas como oferendas, uma medida cuidadosamente pensada para preservar o delicado ecossistema marinho que Iemanjá protege e abençoa.
Embora não seja um feriado oficial, a Festa de Iemanjá é uma tradição enraizada que ocorre todo dia 2 de fevereiro há mais de um século. É um dos três eventos mais marcantes da cidade, ao lado do Carnaval e da Lavagem de Bonfim. Esta celebração é considerada a maior manifestação dedicada a um orixá e um dos momentos mais importantes da cultura afro-brasileira na Bahia. Em 2022, o festival foi oficialmente reconhecido como patrimônio cultural de Salvador.
O culto a Iemanjá remonta a 1923, quando a Colônia de Pescadores do Rio Vermelho, movida pela escassez de peixes em anos anteriores, organizou oferendas em sua honra.
Além da capital, outras localidades da Bahia também reverenciam a divindade. Na Ilha de Itaparica, o Terreiro Omo Ilê Agbôula, tombado em 2015 pelo Iphan, lidera as festividades. Em Cachoeira, o cortejo é realizado na comunidade quilombola de Santiago do Iguape. Na cidade de Ituberá, a Barra de Sirinhaém é palco de um almoço comunitário e da entrega de oferendas, incluindo peixes pescados pelas famílias locais.
A Colônia de Pescadores do Rio Vermelho também conduz visitas à Casa de Iemanjá e ao Barracão, onde os milhares de turistas e fiéis que participam da festa encontram imagens da divindade e podem deixar presentes, fazer pedidos e expressar gratidão.
Além das cerimônias religiosas, as ruas de Rio Vermelho pulsam com uma movimentação de pré-carnaval. Desfiles de blocos com fanfarra, rodas de samba e outras manifestações culturais e religiosas reverenciam a orixá, criando um ambiente de festa e devoção que encanta os participantes e os observadores.



